A fotografia nasceu no Brasil, com um francês

Este texto foi retirado de um recorte de uma antiga publicação
chamada “Foto Novas” Não foi possível identificar o autor e colocamos
em nosso site a título de curiosidade, em 19/04/2004


“A primeira fotografia do mundo, Segundo registra a história, foi feita por Joseph­ Nicephóre Niépce,
em 1826, na França. Mas a própria his­tória lhe nega a glória desta descoberta, em favor de Louis
Jacques Mandé Daguerrè, um pintor, que através de um acordo (meio “estranho”) com Niépce, que
ficou com todo o mérito da invenção, utilizando-se dos conheci­mentos prestados pelo sócio.
Mas, na história da fotogra­fia, há, ainda, um terceiro per­sonagem: Hercule Romuald Florence, um
francês radi­cado no Brasil. 0 fotógrafo paulista Boris Kossoy levou nove anos para ver reconhe­cida
mundialmente uma tese que levantou em 1976: a de que a fotografia foi inventada no Brasil, ao
mesmo tempo que, na Franca e na Ingla­terra, por um francês desco­nhecido - Hercule Romuald
Florence - que em 1833, vi­vendo na vila de São Carlos, atual Campinas,desenvolveu um processo
fotográfico sem conhecimento das experiên­cias que se faziam na Europa. Ao Iongo de nove anos,
Kossoy defendeu sua tese em inúmeros congressos internnacionais.
submeteu-se a in­terrogatórios de especialistas e, pouco a pouco, conseguiu incluir Florence na
relação dos “pais da fotografia, ao lado dos franceses Niépce e Daguerre, e do inglês William
Henry Fox Talbot.

Em 1984, Kossoy foi cha­mado a escrever a verbete de Florence (600 palavras) para a Enciclopédia da Fotografia, editada pelo
International Center of Photography dos Estados Unidos. E, em 1985, recebeu do governo francês a comenda Chevalier dans
LOrdre des Arts et des Let­tres, a mais importante Comenda cultural da França.

‘A condecoração é pelo conjunto da obra de Kossay como fotógrafo e pesquisador da história da fotografia, mas levou em conta,
principal­mente, a pesquisa que reve­lou Florence como um dos pioneiros da arte fotográfica e como a primeiro, em todo a mundo,
a usar a expressão ‘fotografia’. explicou o adido culturaI do governo françês em São Paulo, Yvon Vache.

Para conseguir a reconhe­cimento mundial da obra de Hercule Florence, Kossoy in­vestigou durante quatro anos a vida do inventor.
Por sorte, o bisneto de Florence, Arnaldo Machado Florence, preser­vara farta documentação so­bre as experiências do bisavô.
Como os diários em que des­creve todos as dados da sua descoberta e duas fotografias tiradas em 1833 (de um rótulo de produto
farmacêutico e de um diploma maçônico).


Quando decidiu anunciar a resultado das suas pesquisas sobre Florence, em 1976, Kossoy procurou o aval do Ro­chester Institute of
Techno­logy, de Nova Iorque, onde as experiências químicas descri­tas nos diários do inventor pu­deram ser inteiramente comprovadas.
Comparados as resultados apresentados pelas experien­cias de Niépce (1826), Fox Talbot (1835) e Daguerre (1837), as relatórios e
fatos deixados par Florence são bastante sólidos, Segundo Kossoy, para forçar a revisão dos compêndios, mais de 140 anos depois.

“Uma informação nova sempre perturba um pouco os historiadores, mas eles sa­bem se render as provas do­cumentais”,
comenta Kossoy.

Florence chegou ao Brasil em 1824, aos 20 anos de idade, movido por seu espí­rito aventureiro, e viveu 55 anos aqui, onde teve 20
filhos, sem renunciar a nacionali­dade francesa.

(Dados forne­cidos pelo CENDOTEC).”